domingo, 9 de maio de 2021

O LEGADO DE JÚPIER: SÉRIE NETFLIX

 

Por Salomão Fonseca 

Falta profundidade.  "O legado dos super-heróis, a problematização  política e as questões familiares"   ficam pelo caminho. As linhas temporais, ou como elas foram construídas, não  contribuem para o apego do público. Parece-me que  os acontecimentos dos anos 30 e como os heróis adquiriram seus poderes são os objetivos da série.  Algo que faz perder  ritmo e torna a primeira temporada enfadonha !

            A família Sampson ( uma família funcional dentro de sua  disfuncionalidade).  Em uma espécie de paródia do Superman, Sheldon Sampson (O Utópico) remete ao herói clássico com todos os seus ideais de nobreza, Justiça, igualdade e lealdade; coisa que em tempos de Homem de Ferro e seu egocentrismo simpático, os valores do herói clássico não funcionam.

Já Brandon Sampson (Paragon) é um herói fracassado, seu grande objetivo e também grande frustração é ascender ao legado do pai. Temos um herói ressentido, um ser humano magoado, que vive a contradição de ter a glória de ser filho do Herói mais poderoso da terra, e saber que Sheldon Sampson (O Utópico) é um fracasso como pai.

Mesmo com o roteiro superficial, e que não empolga, temos a personagem mais Complexa/ humana de "O Legado de Júpiter". Vivida pela atriz (Elena Kampouris), Chloe Sampson, a filha mais nova do Patriarca da família Sampson, representa a Negação do legado dos super-heróis. Chloe  é uma "modelo/ socialite" que posa para fotos   seminua, e que  nunca está presente nas lutas contra os vilões.

Em suas horas vagas, Chloe Sampson se diverte em festas regadas a muito  álcool e cocaína, dentro da perspectiva de desconstrução do universo de super-heróis, temos a personagem mais  conflituosa da série.

Fazendo um paralelo com a vida real, a caçulinha da família Sampson representa os filhos de celebridades que renegam a trajetória dos seus pais, mas não deixa de tirar proveito da fama construída pela família.

O Legado de Júpiter surge como uma proposta da Netflix para competir com os outros serviços de streaming na disputa pelo mercado de super-heróis. No entanto, a tentativa  tornou-se falha quando percebemos a falta de carisma dos heróis, a construção de vilões sem nenhum tipo de complexidade  e o esforço Sobrenatural  para dar realidade e naturalidade a um universo de seres com superpoderes e roupas coloridas.

Nos últimos anos, percebemos a evolução deste inverso através de histórias cada vez mais  elaboradas e complexas, porém, o seu principal objetivo é levar diversão ao público, coisa  que série não consegue fazer.



 

 

sexta-feira, 12 de junho de 2020

As aves da noite (peça do ano de 1968, autora Hilda Hilst.)




As aves da noite (peça do ano de 1968, autora Hilda Hilst.)
            Texto escrito por Salomão Fonseca Gomes
Nascida no interior de São Paulo, Hilda Hilst  se destacou em diversas áreas da literatura; a autora desenvolveu  trabalhos  no campo da poesia, do romance e do teatro. Suas obras apresentam características híbridas, encontramos em seus textos aspectos narrativos e poéticos que colaboram para tornar Hilst uma das escritoras mais relevantes do século XX.

Em 1950, Iniciou sua carreira literária com a obra Presságio; a autora dizia que desde pequena, ela só queria saber de escrever;  que seu encontro com a poesia foi um encontro com ela mesma.Uma característica bastante expressiva encontrada em sua obra é a preocupação com a condição humana.

Dona de uma vasta produção, a autora produziu mais de 40 títulos, transitando entre poesia, teatro e  ficção; abordando os temas mais controversos socialmente. A autora afirmava que  sua  pretensão era mostrar a difícil relação entre Deus e o homem. Hilda Hilst foi traduzida em várias outras línguas e se tornou uma das autoras mais importantes da língua portuguesa.

O nosso objetivo neste trabalho é abordar a dramaturgia Hilda Hilst, período que compreende de 1967 a 1969; precisamente As Aves da Noite, peça de 1968. Uma peça que mistura ficção e realidade, uma vez que a autora contextualiza a sua história no holocausto, mostrando as torturas sofridas pelos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Em outra perspectiva, podemos entender a peça como um alerta a censura sofrida por muitos artistas aqui no Brasil na época da ditadura militar.

Era os anos 60, período que ficou conhecido como os anos de chumbo no Brasil; a vida estava sendo arrasada  pela censura e a  ditadura militar, a autora resolve escrever para se comunicar com o povo, mostrar um horror e o Terrível naquela época, ela pretende ouvir o que se passou no porão da fome.

Percebe-se em caráter de aviso e preocupação da autora com relação ao nazismo, também o objetivo de conscientizar as pessoas sobre a ditadura militar e o regime totalitarista  que acontecia no Brasil.

As Aves da noite busca trabalhar o drama através da tensão, a concepção do cenário evidencia bem a idéia. Construído no formato de cilindro de altura variável, que dependeria da altura do teatro, dentro desse cilindro há uma cela, com 1,90 m de altura. O público fica em volta do cilindro, no entanto, cadeiras são isoladas por algum tipo de divisão. Em nota a autora explica: “idealizei o cenário de As aves da noite de forma a conseguir do espectador uma participação completa com o que se passa no interior da cela. Quis também que o espectador sentisse total isolamento, daí as cadeiras estarem separadas por divisões”(Hilst,2008, p. 231).

Na peça é Trabalhando os símbolos e signos, isso justifica a necessidade da autora com o cenário, as cadeiras e seu isolamento tinha o propósito de impactar, trazendo para a platéia a angustia  dos prisioneiros, a idéia do publico sentir um pouco do momento histórico sofrido, criando uma reflexão entre o  desespero e  o delírio.

É importante perceber em "As  aves da noite" uma mistura de ficção e realidade. É  através de representações sociais que a autora cria personagens que transitam entre a história real e a ficção para dar veracidade a história.

A peça tem início com cinco personagens presos no "porão da fome": o joalheiro, o carcereiro, o poeta, o biólogo e o padre Maximilian.  O único personagem a ter  nome, pois os outros são tratados por sua condição social. Aí está o ponto entre a realidade e a ficção, uma vez que o padre é um personagem real, ele viveu todo o sofrimento em Auschwitz e  teve seu processo de beatificação iniciado em 1948

Os outros personagens colaboram na construção do humano, tema recorrente na obra de Hillst. Outra característica presente em “As aves da noite” é um texto que se estrutura entre poesia, canção e narrativa. Um artifício que colabora para tornar a nativa flutuante, além de dar o espectador uma ideia de deslocamento temporal: lembranças, canções, diálogos que remetem ao passado livre dos personagens, Ideia de espaço, tempo e ambientação.

O estudante de biologia relata uma experiência com um falcão  que é obrigado a engolir um tubo de metal com um pedaço de carne dentro, com o passar do tempo, o falcão vomita o tubo com a carne dissolvida.  Temos uma representação do cenário da peça, um cilindro que representa o tubo digestivo e os prisioneiros são pedaços de carne. É iniciado o conflito: "Nós somos iguais àquela carne dos tubos", diz o Carcereiro. “Somos feitos de células carnívoras” (p. 24). Afirmação contestada pelo padre Maximilian: "Nós somos feitos à imagem e semelhança d'Aquele". “Mas nós temos alma” (p. 22). Percebemos o confronto carne e espírito, mais uma característica na obra de Hilda.

Uma mulher judia é levada a cela, onde estão todos os prisioneiros, o objetivo é que ela faça  sexo com todos eles. Ao invés disso, ela canta e traz a ideia de esperança em Oposição a Escuridão. A mulher trabalha separando os corpos  que ficam agarrados numa espécie de pirâmide humana, mais um exemplo das torturas do holocausto. Ao mesmo tempo, vemos a humanidade da mulher quando demonstra arrependimento e revela ser obrigada ao trabalho.

O carcereiro e Maximilian são personagens antagônicos na peça, pois eles representam o duelo entre o pessimismo e a esperança. O carcereiro é construído a partir de um pessimismo niilista, ele faz o papel o antagonista, o homem que usa a racionalidade para mostrar a falta de perspectiva e o quanto é a realidade Vivenda por aqueles prisioneiros.

 Por sua vez, o padre Kolbe é a representação da Esperança, do amor ao próximo; o padre transmite a ideia de que todos podem se regenerar, nos colocando como a imagem e semelhança de Cristo. Percebemos isso através do sacrifício que o padre faz, ele se oferece para morrer no lugar do prisioneiro n.5659, uma representação do sacrifício feito por Cristo.

Enigmática, instigantes, metafísica; Hilda Hilst foi uma autora que transitou por todas as horas e literatura. Em Sua obra encontramos a transcendência, a sexualidade, a inquietude do ser, o amor, Deus; são algumas das sua temáticas. Em As aves da noite percebemos o duelo entre o bem e o mal, percebemos o quanto a autora enfatiza a difícil relação entre e homem e Deus. Nada mais atual! É lamentável  que obra de Hilda tenha se tornado conhecida apenas por um pequeno  círculos intelectuais, pois estudar a sua obra é desafiante, porque é através do seu universo de símbolos e signos que percebemos  que homem e Deus se confundem e se unem dentro de um mesmo universo.

Referencias



CUNHA, Rubens. A advertência poética de Hilda Hilst em As aves da noite. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/elbc/n50/2316-4018-elbc-50-00444.pdf



Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG - Volume 1, n. 1 – out. 2007 - ISSN 1982-3053. WALDMAN, Berta. Sobrevoando Auschwitz: As aves da noite. Disponível emhttp://www.periodicos.letras.ufmg.br/index.php/maaravi/article/viewFile/968/1079

RODRIGUES, Éder. O TEATRO PERFORMÁTICO DE HILDA HILST.Disponível em http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/handle/1843/ECAP-84VLJ2/dissertacaoderradeirapraentregar.pdf?sequence=1








quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Scorsese vs Marvel

"Não é o cinema de seres humanos tentando transmitir experiências emocionais e psicológicas a outros seres humanos",Martin Scorsese
Se olharmos a sétima arte como uma representação da realidade, do humano, eu concordo com Scorsese. No entanto, o cinema vai muito além. outra coisa, o universo dos quadrinhos também é literatura, também é uma forma de representação artística da realidade, haja Vista que o filme "Guerra civil" é uma representação da Guerra Fria,assim como "o corvo" de Edgar Allan Poe que já foi adaptado para os quadrinhos e também para o cinema. Eu Só não concordo com a ideia de superioridade de uma arte em detrimento da outra.

https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/10/martin-scorsese-diz-que-filmes-da-marvel-nao-sao-cinema.shtml

domingo, 22 de setembro de 2019

Passageiro 27, a trajetória de Moisés Monteiro de Melo Neto


Passageiro 27 conta a história de Moisés Monteiro de Melo Neto, sua infância difícil devido as crises alérgicas, o menino sonhador que aos cinco anos  foi  morar em Boa Viagem e  na juventude  fez daquele bairro  o  cenário para as suas aventuras.

As lembranças da casa navio, lugar muito frequentado por ele e sua turma. Assim como, a Escola America do Recife, onde passava suas tarde, e nos finais de semana, ele usufruía dos recursos oferecidos pela escola.

Ainda na sua infância, começou a escrever seus primeiros textos. Em um deles, Moisés conseguiu ganhar um concurso e deixou sua professora emocionada. A arte sempre esteve presente na sua vida, o que colaborou na formação do artista.

A adolescência foi marcada por vários amigos: Paulo Barros, Paulo Smith e muitos outros. Por praias como Gaibu e Maracaípe, foi assim que o surf entrou na sua vida.  Os papos eram sempre sobre filosofia, literatura, música e estados alterados da mente...

 No teatro tudo aconteceu meio que por acaso, Moisés teve que substituir um ator que tinha faltado, a peça era  “Suplício de Frei Caneca”,sua estreia como ator. Logo após veio “Dona Patinha vai ser miss” e em 1981, “Muito pelo Contrário”, que mudaria sua vida para sempre.

Em 1983, Moisés Neto e Augusta Ferraz fundam a Ilusionistas corporação artística, um grupo de amigos que presenciaram as transformações políticas sociais e culturais dos anos 80. A ideia era trazer uma nova proposta para o teatro, algo fora dos padrões, uma forma alternativa de representação teatral.

Além do teatro, Moisés publicou diversos artigos em jornais e revistas como o Le Monde, Diplomatique. Também publicou vários livros, os que mais se destacam são: Chico Science: A Rapsódia Afrociberdélica (primeiro livro sobre o movimento mangue) e Os abismos da poeticidade em Jomard Muniz de Britto: do Escrevivendo aos Atentados poéticos.

Na poesia, encontramos um autor que mescla simplicidade e sofisticação; sua poesia mostra Recife como uma grande metrópole, o nosso estado como um grande centro cultural.

Em sua trajetória, Moisés se mostra um ser multifacetado, homem que se destaca na literatura, no teatro, no cinema e também constrói uma carreira acadêmica solida. Nesta biografia, revelaremos um pouco da sua personalidade: sua infância, adolescência e Juventude. Histórias de um artista de grande relevância para cultura pernambucana.

 Biografia escrita por Salomão Fonseca






sábado, 27 de janeiro de 2018

Nelson Rodrigues

A mulher adúltera que se faz de santa, o homem (chefe de uma família moralista, que vive em adultério e alimenta o vício do jogo). Segundo o próprio Nelson Rodrigues, sua obra é popular, pois representa o povo. Ele é um mestre em mostrar a sujeira que existe embaixo do tapete! Suas peças deram ao teatro uma nova linguagem, mostrando a sociedade carioca, talvez um retrato do Brasil popular. Nossos vícios, nossas taras, nossos preconceitos, o jeitinho brasileiro de ser. Sua obra ainda proporciona estudos sociais, linguísticos, históricos e mais Universo de possibilidades. Atemporal Nelson Rodrigues, porque a vida é como ela é!
Vejo Nelson Rodrigues como uma grande representação do homem do seu tempo, porém sua obra Sempre será clássica, Por que sempre teremos o que descobrir e aprender com ela.
É paradoxal, pois tenho estudado algumas de suas peças, de suas entrevistas, mas não gosto de muitas das entrevistas, no entanto sou louco por sua obra !
Bom, tudo que eu disse já foi dito por todo mundo, não é nenhum mistério, é só minha vontade de escrever ou minha paixão por literatura. Viva a Nelson Rodrigues !

domingo, 1 de outubro de 2017

Metrópolis: Exposição do Renato Russo


PABLO NERUDA: VIDA E SURREALISMO


Texto escrito no dia 26 de setembro de 2017.
Por Salomão Fonseca Gomes


PABLO NERUDA: VIDA E SURREALISMO


Ganhador do prêmio Nobel de literatura no ano de 1971, Pablo Neruda se tornou  um dos poetas mais relevantes do século XX. Homem de muitas facetas,  foi Cônsul  do Chile na Espanha (1934-1938) e também no México.
Uma curiosidade sobre o autor é que ele foi Batizado com o nome de Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, mas adotou o nome de Pablo Neruda, inspirado no escritor tcheco Jan Neruda.
Seu primeiro livro “Crepusculário” que  foi Publicado em 1923, a obra mostra  uma certa obscuridade e também uma obsessão pela morte.em 1924, o autor publica “Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada”, um livro que tem como temática o amor e outros sentimentos que inquietavam o seu espírito.Também é percebido uma influência  modernista.
De 1933, “Residência en la  Terria” fala de  suas experiências como Cônsul  de Singapura e Malásia  ,revelando o sentimento de angustia e desolação.
Dono de uma linguagem simples, Neruda retratou o amor, mas também uma poesia de engajamento social.  Fez carreira diplomática, em Buenos Aires conhece o poeta Federico Garcia Lorca, em Barcelona teve contato com Rafael Alberti.
 Em 1937, na França, ele escreve “Espanha no Coração” comovido pela guerra na Espanha e também com a morte de García Lorca .  A partir daí, volta ao Chile e se dedica a escrever poemas de cunho  político e social.

Em 1939, Pablo Neruda escreve “Canto Geral do Chile”, uma obra com características  épicas que  retrata  a geografia história do Chile.
 Simpatizantes do comunismo, em 1945, ele declamou um poema em homenagem a Carlos Prestes no Pacaembu, São Paulo. No mesmo ano, ele recebeu o Prêmio Nacional de Literatura.
 Em 1952, lançou  “Os Versos do Capitão” e dois anos mais tarde publica “As Uvas e o Vento”. Em 1965, recebe o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Oxford.
Neruda morreu de câncer em setembro de 1973, mas a causa de sua morte ainda é ministério, pois alguns defendem a ideia de assassinato, outros defendem que ele teria morrido de tristeza por causa do fim do governo de Alhende.

CARACTERÍSTICAS DO SURREALISMO

Tem seu início na França ano de 1920, é inspirado no dadaísmo e influenciou não só a literatura como a pintura e outras formas de arte. No surrealismo o símbolo que representa uma realidade superior que antes era ignorada; seria um jogo de pensamento, onipotência do sonho.
A linguagem literária ultrapassa a escrita e cria uma realidade imagética com objetivo de valorizar o jogo de metáforas. Para tanto, usa a fantasia e a imaginação   dando um novo sentido da palavra.
A fase Vanguardista de Pablo Neruda é completamente influenciada pelo  surrealismo. Com "residencia en la tierra",  o autor inaugura uma nova estética em seus textos, ele deixa de lado a escrita mais simples e passa a buscar uma escrita mais Esotérica utilizando o jogo de símbolos.
Neste momento, percebemos que a poesia de Neruda  tem um viés  amoroso e também político, sua poesia se volta para o povo. A partir daí, ele entra em contato com a filosofia marxista, ato que influenciou sua obra posteriormente.
É perceptível que o autor combina em sua obra imagens surrealistas e elementos tradicionais da poesia, isso representava a união  entre a tradição e a ruptura de uma estrutura poética. A partir daí, a poesia passa a ser questionada com relação ao seu sentido e função poética.
A poesia surrealista de Pablo Neruda não é a representação imagética de um jogo de símbolos, seu surrealismo é a tentativa de reproduzir, recriar o inconsciente através das palavras. Criando um jogo metafísico, metalinguístico, unindo realidade e subjetividade na mesma estrutura para criar novo conceito de poesia.




quarta-feira, 13 de setembro de 2017

PEQUENA ANÁLISE DE OLIVERIO GIRONDO  


Recife, 12 de setembro 2017

Texto escrito por Salomão Fonseca Gomes



LITERATURA HISPANO-AMERICANA

PEQUENA ANÁLISE DE OLIVERIO GIRONDO



Nasceu em Buenos Aires no dia 17 de agosto de 1891, filho de uma família conceituada socialmente, isso fez com que lhe permitisse estudar na França e ter acesso ao movimento cultural existente na Europa.

De volta à Argentina, terminou seus estudos secundários e formou-se em Direito.  Devido a um acordo com os pais, não perdeu o contato com a Europa  onde  fez amizade com escritores e artistas europeus. Isso o proporcionou conhecer vários estilos e estéticas artísticas vigentes naquela época, Girondo entra em contato com o surrealismo por influência do poeta franco-uruguaio Jules Supervielle

Sua obra se divide em três fases, este texto, iremos falar um pouco da primeira.

Veinte poemas para ser leídos en el tranvía (1922), Apresenta uma característica cosmopolita. Muitos de seus textos parecem crônicas de suas viagens pelo mundo, alguns  têm mar, navegações como plano de fundo, outros têm uma poeticidade maior mesmo escritos em prosa.

Sua obra é predominantemente urbana e mostra o mundo pelos olhos curiosos de quem vê; Isso é um artifício que pode induzir o leitor a visão do escritor. Alguns textos são Solares, outros são noturnos, mostrando a imaginação, o que sua mente enxerga quando as luzes apagam.



Comentando alguns textos:


NOCTURNO

Um texto que fala sobre a noite; as janelas, as luzes...   e de repente tudo se apaga !  Então escuro, o Sombrio dá asas à nossa imaginação e revela nossa solidão mostrando o vazio existencial, o medo  humano.

O espaço físico também colabora para criar um jogo de sensações que induz o leitor a se transportar para o ambiente que está sendo observado.  O texto também apresenta uma descrição de detalhes que proporciona uma melhor construção no clímax da narrativa.

RIO DE JANEIRO

Em suas andanças pela Europa e América Latina, Olivério Girondo  também escreveu sobre Rio de Janeiro e o Pão de Açúcar,  falando de suas montanhas, os prédios, o Bondinho que anda nos fios. Um Panorama de cartão postal, uma visão aérea do Rio de Janeiro.

Em uma visão histórica de 1920, ele descreve um sol suavizando o asfalto, mostra a admiração pelas mulheres quando fala de suas nádegas e também fala da Lavagem das ruas  com água de jasmim. Ele também descreve as árvores, os parques de caminhada, as flores e toda a paisagem bucólica do Rio de Janeiro. É uma espécie de crônica em louvação a paisagem carioca!








domingo, 25 de junho de 2017

TEMPOS MODERNOS


TEMPOS MODERNOS,1982

No dia 25 de junho de 1982, estreava nas rádios de todo país a canção Tempos Modernos, faixa e título do disco do também estreante Lulu Santos.

Em 1982, surgiu um novo formato musical nas  rádios estrangeiras, era New Wave; punk formatado para tocar nas rádios. Acontece que as gravadoras já apresentavam um certo  desgaste com agressividade  e as guitarras pesadas do punk, então o New Wave foi uma forma de fazer  com que as canções  fossem executadas nas rádios.

Naquele momento, o filme Menino do Rio se tornou um grande sucesso de  bilheteria do cinema brasileiro, cerca de cinco milhões de espectadores; a canção De repente Califórnia era um dos temas do filme.  Parecia brincadeira do destino, mas Lulu Santos estava para ser demitido da Warner, a grande ironia é que Lulu assinava a autoria da canção de maior sucesso tocada nas rádios do Brasil.

 Graças a Heleno de Oliveira, então gerente de negócios da gravadora, Lulu Santos não foi despedido e conseguiu gravar seu primeiro disco. A proposta era ele criar novas  composições,  mais sucessos para tocar nas  rádios. O disco foi produzido por Liminha e é um dos melhores da discografia de Lulu Santos.

Tempos Modernos é um  dos disco de maior relevância para a música brasileira, pois  ele é uma das obras que deu forma e identidade ao Pop Brasil.

Em 1993, Lulu Santos lançaria O Ritmo do Momento, mas  é uma outra história...

Por Salomão Fonseca


CANÇÕES DO DISCO
  • Tempos Modernos
  • Tudo com Você
  • De Repente Califórnia
  • Scarlet Moon
  • Sirigaita
  • Bole Bole
  • Palestina
  • Areias Escaldantes
  • De Leve (Get Back)
  • Tesouros da Juventude
  • Fricção Científica

    FONTE DE PESQUISA
    https://www.youtube.com/watch?v=4jQdTfeiPcQ&t=62s






sábado, 25 de março de 2017

A MONTANHA DA ÁGUA LILÁS (Fábula para todas as idades)

DICA DE LIVRO:


A obra  faz uma crítica ao capitalismo selvagem, ao consumismo desenfreado e a  ambição do homem. Pepetela  nasceu  em Angola, participou diretamente da luta armada pela libertação do seu país (1979). Dono de cinco grandes Prêmios, entre eles, o principal Prêmio Literário dos países de língua portuguesa: o  prêmio Camões, em 1997, pelo conjunto da obra.

sábado, 4 de março de 2017

Caravaggio




Caravaggio, pintor italiano, retrata a flagelação de Jesus Cristo. Também é possível perceber o jogo de claro e escuro representado na obra.

CAZUZA - SÓ SE FOR A DOIS


 
Parece uma simples canção de amor, mas as referências históricas são o máximo, sem contar que  ele estrutura muito bem a letra. Também vale salientar que em 1987,nós ainda vivamos a guerra fria.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O ANO DA MORTE RICARDO REIS


DICA DE LIVRO:


Um dos mais importantes escritores da literatura portuguesa, José Saramago ganhou o Nobel de literatura em 1998; no ano de 1995, o Prêmio Camões. O autor tornou a prosa portuguesa conhecida em todo mundo.

Um ótimo livro e um autor brilhante! O leitor não pode passar pela vida sem conhecer "O ANO DA MORTE RICARDO REIS". Saramago nos mostra o que é literatura abusando das teorias literárias,  brincando com os heterônimos. Reis, um heterônimo de Fernando Pessoa!  E Pessoa, será um heterônimo dele mesmo?
Um dos melhores livros que li !



NEW WAVE, PUNK FORMATADO PARA TOCAR NAS RÁDIOS


Existencialista, metafísico, anarquista; a filosofia perdeu um bom professor, mas a música ganhou um puta letrista !

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

DOUTOR ESTRANHO OU HOMEM DE FERRO?


DOUTOR ESTRANHO OU HOMEM DE FERRO?

Marvel repete fórmula e faz de Doutor Estranho mais da mesma coisa!

O que era para ser o filme mais estranho, diferente na verdadeira concepção da palavra, mostrou ser uma releitura da mesma história.

A história  tinha tudo para ser o filme mais criativo e ousado da Marvel, já que Stephen Strange, herói interpretado por (Benedict Cumberbatch), tem suas aventuras ambientadas no plano astral.

Um médico renomado, excêntrico, bilionário, materialista, sofre um acidente e tem suas mãos atingidas causando danos irreversíveis. A partir daí, Strange  começa uma luta em busca de médicos e cirurgias que possam devolver os movimentos de suas mãos e fazê-lo voltar a operar.

Depois de tantas tentativas fracassadas, o Doutor Estranho conhece Jonathan Pangborn, um paraplégico  que misteriosamente consegue voltar a andar,Jonathan conta ao Doutor estranho  sobre o Kamar-Taj, no Nepal.

Sendo treinado por Karl Mordo e a Anciã, o Douto entra em contato com o plano astral e a dimensão espelhada. Através do estudo dos livros de magia, Stephen Strange  mostra ser  um leitor ávido e aprendiz dedicado, isso contribui para sua resignação como ser humano  e o seu novo papel   face aos problemas  do planeta.

Não sei para vocês, mas isso não parece com a história de outro herói?

Em 2008, chegava ao cinema a história de Tony Stark, O Homem de Ferro.  Personagem interpretado por (Robert Downey, Jr.), um gênio, bilionário, excêntrico que herdou do seu pai as indústrias Stark e fez fortuna  fabricando armas para o exército  norte-americano.

Em uma viagem ao Afeganistão para demonstrar a sua criação, o míssil Jericó, start sofre emboscada e é atingido pelos estilhaços do seu próprio míssil. Preso numa Caverna, ele conhece Yinsen, homem responsável pela construção de um eletroímã que mantém os estilhaços do  míssil   longe do coração de  Stark.

Tony é forçado a construir armas para os Dez Anéis, ao invés disso, ele constrói uma armadura para fugir da caverna. O plano dá certo, mas o seu amigo Yinsen morre!

Depois de ter sido resgatado pelo tenente-coronel James Rhodes, e ainda abalado pela perda do amigo, Stark   reconstrói e atualiza a armadura do Homem de Ferro, decidindo   combater os Dez  Anéis e lutar pela paz mundial.

Coincidência ou não, a Marvel repete a mesma história e chove no molhado!

Comparando personagens:

 Doutor Estranho transita muito pelo universo metafísico ou místico, a transcendência, transformação pelo lado espiritual.

Já em Homem de Ferro, personagem de (Robert Downey, Jr.), Mostra mais o lado humano e carnal do anti-herói, isso torna Stark mais interessante, pois suas falhas de personalidade ficam mais explicitas em o Homem de Ferro, dando um tom  debochando e  divertido  ao filme.

Stephen Strange, Personagem de (Benedict Cumberbatch), tem sua construção mais sóbria e equilibrada, ele não exagera no humor  e não é tão o sarcástico como  Tony Stark.

Em termos de efeitos especiais, podemos dizer que Doutor Estranho é o melhor filme da Marvel, pois ele abusa  da  psicodelia para criar um jogo de sensações que nunca visto pelos  Marvéticos.  

O filme funciona como uma grande epifania para mostrar as diversas realidades paralelas.  Reverências ao excelente trabalho realizado por (Scott Derrickson), em especial nas  cenas de ação, coreografias bem resolvidas e cenas que apresentam conceitos diferentes em efeitos especiais.
Por Salomão Fonseca

 

 

quarta-feira, 13 de julho de 2016

LEGIÃO URBANA 30 ANOS


PARA COMEMORAR O DIA DO ROCK, VAMOS FALAR DE LEGIÃO URBANA 30 ANOS
Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, os integrantes da Legião Urbana, lançaram uma edição comemorativa dos 30 anos do primeiro disco.
São os ensaios, as primeiras gravações de algumas das canções  que marcaram uma geração. Com a formação original, que conta com Renato Rocha no baixo, encontramos o (Petróleo do Futuro) em versão mais psicodélica que remete à bandas  como Joy Division.
No que diz respeito ao tocar das músicas, é Perceptível a ingenuidade e o autodidatismo que os ainda jovens Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá  tinham, mas isso foi vencido com muita persistência, vontade de  fazer  e o coletivo que sempre foi uma das marcas da Legião.
Encontramos trechos de (Ainda é Cedo) com Renato cantando versões em inglês, (Será) vem numa batida muito mais pesada com distorção de guitarras e sem os violões; também ouvimos (Química), música que já tinha sido gravada pelos Paralamas, e que foi apresentada pela Legião no programa CLIP CLIP da Rede Globo.
Um dos pontos de grande nostalgia foi ouvir o baixo e os diálogos de Renato Rocha como os outros integrantes da banda.  Percebemos o quanto Rocha era um músico promissor quando ouvimos (Geração coca-cola) que está muito mais elétrica e com linhas de baixo mais pesadas, ou (o reggae) que mostra as influências dos ritmos africanos do baixista.
Um  momento engraçado é ouvir as vinhetas gravadas pelos caras para fazer divulgação dos  shows e propagandas nas rádios do país. Dado, Renato, Bonfá e Rocha anunciam os shows nas rádios  tocando uma musiquinha  no piano; Russo ainda produz pequenas narrativas contando a formação da banda em Brasília e um pouco da história dos integrantes da Legião Urbana.
Aliás, o senhor Renato Russo é um caso à parte, pois  além de fazer  narrativas sobre a história da banda em Brasília, o cantor rege o quarteto como um  maestro.
Percebemos um jovem Idealista e de pulso firme, que liderava o grupo como um professor que ensina e influencia os seus alunos. Naquele momento, Renato ainda era jovem promissor, cantor de voz potente que queria ser o melhor vocalista da história no rock nacional.
Com timbre de voz barítono e suas influências de Elvis Presley, Jim Morrison, Ian Curtis; ele já despertava o interesse dos produtores e do presidente da  EMI. O motivo não era só  a voz potente, mas o letrista que com  pouco mais de 20 anos, já mostrava maturidade e uma qualidade técnica admirável, digna dos grandes poetas.
Intuitivo, perfeccionista, supersticioso, místico; Renato dizia que era Ariano como Roberto Carlos! Ele não gostava de ser filmado. Talvez nem ele soubesse que o destino o transformaria no líder de uma geração, e que sua obra se perpetuaria por várias gerações.
O disco contaria com a primeira versão de Tempo Perdido, mas por problemas de direitos autorais entre a família de Renato e os dois integrantes da Legião, a faixa não está presente no disco, porém pode ser encontrada na internet.
Por causa do disco, Bonfá e Dado estão fazendo uma turnê por todo o país com o músico e ator André Frateschi nos vocais.

Por Salomão Fonseca
Fonte da pesquisa: